O “Novo Equilíbrio” da Agropecuária: Mato Grosso produz mais com sustentabilidade e inovação

Sorriso (MT) – Produzir mais, preservar os recursos naturais e manter a competitividade deixou de ser um desafio contraditório para se tornar a realidade da agropecuária mato grossense. Essa foi a principal mensagem apresentada por Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), durante o painel “Novo Equilíbrio”, realizado no GAFFFF Sorriso 2026.

Segundo Gauer, produtividade e sustentabilidade fazem parte de um mesmo sistema e caminham lado a lado no desenvolvimento do agronegócio. Ele destacou que muitas das tecnologias adotadas para aumentar a eficiência no campo também contribuem diretamente para a conservação ambiental.

“Práticas como o plantio direto, o cultivo mínimo, a integração lavoura pecuária e o uso de bioinsumos mostram que é possível produzir mais utilizando melhor os recursos disponíveis”, afirmou.

O superintendente ressaltou que a sustentabilidade deve ser compreendida a partir de três pilares fundamentais: ambiental, social e econômico. Para ele, nenhum deles pode ser analisado isoladamente.

“Não basta ser ambientalmente sustentável. A atividade também precisa ser economicamente viável e socialmente responsável para garantir a continuidade da produção e o desenvolvimento das propriedades rurais”, destacou.

Tecnologia impulsiona ganhos de produtividade

De acordo com o IMEA, Mato Grosso vem ampliando sua produção principalmente por meio da intensificação tecnológica. O uso de técnicas como integração lavoura pecuária (ILP), integração lavoura pecuária floresta (ILPF), bioinsumos e agricultura de precisão tem permitido elevar a produtividade sem a necessidade de expansão proporcional das áreas cultivadas.

Gauer destacou que um dos principais indicadores desse avanço é a evolução da produção em relação ao uso da terra.

“Se Mato Grosso produzisse hoje com a mesma produtividade registrada há algumas décadas, seria necessária uma área muito maior para alcançar os volumes atuais. O Estado produz cada vez mais utilizando melhor o mesmo espaço”, explicou.

Mercado exige sustentabilidade

Outro fator que impulsiona essa transformação é a crescente exigência dos mercados nacional e internacional. Segundo o superintendente, consumidores e compradores valorizam cada vez mais cadeias produtivas com rastreabilidade, transparência e monitoramento ambiental.

Apesar desse movimento, ele observa que a adoção dessas práticas também acontece de forma natural dentro das propriedades rurais, motivada pela busca por maior eficiência e melhores resultados econômicos.

Crescimento sem ampliar novas áreas

Gauer também destacou que o avanço da agropecuária mato grossense tem ocorrido, principalmente, por meio da conversão de áreas de pastagem em áreas agrícolas e pelo aumento da produtividade das atividades já existentes.

Segundo ele, esse processo não representa perda para a pecuária. Ao contrário, a atividade também passou por uma modernização, agregando valor e aumentando a produção de proteína animal.

“O crescimento não acontece apenas pela substituição de atividades, mas pelo uso cada vez maior de tecnologia, tanto na agricultura quanto na pecuária”, afirmou.

Todas as cadeias evoluíram

O superintendente ressaltou que o avanço tecnológico alcança todas as principais cadeias produtivas do Estado, entre elas soja, milho, algodão, pecuária de corte, suinocultura, avicultura, piscicultura e produção de leite.

Para ele, a evolução registrada nas últimas décadas demonstra que Mato Grosso consolidou um modelo de produção capaz de unir eficiência, competitividade e responsabilidade ambiental, fortalecendo sua posição como uma das maiores potências agropecuárias do mundo.

Milene Zamaro
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